Categoria: 19 maio, 2020

Pesquisadores e empreendedores mineiros buscam soluções tecnológicas para o combate à propagação do vírus. Exemplo dessa corrida, a Kunumi, de Inteligência Artificial, busca padrões não-óbvios em bases de dados em nível mundial

 

Atentos às demandas que emergem do cenário causado pela pandemia do novo coronavírus, os empreendimentos tecnológicos se posicionam como iniciativas que conectam pesquisas de ponta e tecnologias avançadas com os problemas enfrentados pela sociedade. De testes de diagnóstico a soluções que tentam frear a propagação do vírus, pesquisadores e empreendedores de todo o mundo estão na corrida para controlar de forma mais efetiva o índice de letalidade da doença e sua contaminação.

Em Minas Gerais, o Sistema Mineiro de Inovação (Simi), projeto da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede), mapeou no Simi Reports as principais iniciativas de Institutos de Ciência e Tecnologia, empresas de base tecnológica, startups, órgãos governamentais e fundos de investimento.  Entre elas, a Kunumi, fundada pelo professor e pesquisador Nivio Ziviani e pelo designer Alberto Colares, demonstra como o ecossistema acadêmico fomenta a transferência de tecnologia: o empreendimento nasceu na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), possui endereço no Parque Tecnológico de Belo Horizonte (BH-TEC) e faz parte do portfólio da empresa de investimentos, Fundepar. “Nosso estado possui uma produção científica surpreendente e o arranjo que apoia o empreendedorismo tecnológico é fundamental para o desenvolvimento social e econômico, especialmente em um cenário de tantas incertezas”, explica Euler Santos, diretor da Fundepar.

 

Aprendizado de máquina para análises rápidas e seguras

Focada em Inteligência Artificial, a Kunumi analisa bases de dados, busca padrões não-óbvios e propõe soluções para problemas diversos que levariam décadas para serem resolvidos por seres humanos. No contexto de combate à Covid-19, a empresa organizou, em parceria com o Laboratório de Inteligência Artificial (LIA) da UFMG, times focados na análise de bases de dados em nível mundial, que abordam questões diretamente relacionadas à doença. “Estamos aprendendo e aprimorando nossos modelos enquanto a doença e seus impactos se manifestam. Por isso, a disponibilidade de dados e nossas parcerias com especialistas de saúde são essenciais para criarmos o retrato amplo do cenário e desenvolvermos ferramentas efetivas”, afirma Gabriella Seiler, executiva da Kunumi.

Os esforços da empresa se direcionam em três frentes: estratégias para compreender a efetividade de políticas para conter a propagação do vírus; diagnóstico acessível da doença; e repropósito de drogas já aprovadas com potencial para tratamento da doença. Para frear a transmissão da Covid-19, as pesquisas se concentram em encontrar os fatores que mais influenciam a curva de óbitos pela doença no mundo. “Buscamos explicações para o crescimento ou diminuição do número de óbitos em determinado dia da pandemia. No futuro, pretendemos levantar cenários, como ‘se o comércio fosse fechado dez dias antes, o que aconteceria?’”, explica Daniella Castro, líder de Pesquisa & Desenvolvimento da empresa.

Na frente de diagnóstico, a empresa busca soluções alternativas ao teste PCR, que funciona por meio de uma espécie de cotonete que é passado na boca e narina do paciente, mas que devido à falta de disponibilidade, está sendo utilizado no Brasil apenas em casos mais graves. Utilizando o hemograma completo dos pacientes, a Kunumi desenvolveu um modelo que obtém o mesmo resultado do PCR, criando uma possibilidade mais rápida e eficiente de diagnóstico. Já no trabalho de repropósito de drogas, desenvolvido em parceria com o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), a equipe está focada na identificação de potenciais medicamentos já aprovados para outros tipos de doenças que possam ser utilizados para a Covid-19, diminuindo assim o espaço de escolhas para ensaios clínicos. “Nosso trabalho é trazer um novo olhar para desafios complexos por meio da Inteligência Artificial. Queremos apoiar a construção de um futuro mais equilibrado”, finaliza Gabriella. A empresa está em fase de finalização das ferramentas e conexão com parceiros para oferecer as soluções ao mercado.

 

Conheça outros empreendimentos ligados à Fundepar com iniciativas de combate à Covid-19

Detechta: idealizada por um grupo interdisciplinar de professores da UFMG, a empresa atua na produção de vacinas, no segmento de testes rápidos e no desenvolvimento de novas tecnologias para diagnósticos mais precisos. Para conter a propagação do vírus, a empresa está atuando em pesquisas de insumos e prototipagem de testes diagnósticos.

Logpyx: especialista em gestão de pátios de transportadoras, a empresa oferece dispositivos vestíveis através da tecnologia de rádio frequência conhecida como UWB para transmitir a medida de distância entre as pessoas com precisão de 50 cm. Os relatórios e alertas levantam dados diversos, como proximidade de risco, aglomeração de pessoas e comportamento inseguro.

Aclin: desenvolve soluções hospitalares e está dando suporte ao conserto de ventiladores mecânicos para pacientes da Covid-19. Considerando o alto preço para a aquisição de novos respiradores, uma das soluções para atender mais pacientes a baixo custo está no reparo dos aparelhos danificados.

Insilic All: integrando A.I. e Big Data, a startup desenvolveu a primeira plataforma de Drug Discovery da América Latina. No contexto da pandemia, a Insilic All oferece uma plataforma que permite a simulação in silico de testes de ativos farmacêuticos, acelerando o desenvolvimento de potenciais tratamentos para serem utilizados contra o novo coronavírus.

Birth Tech: focada em dispositivos para a saúde de recém-nascidos, a empresa adaptou seu produto criando uma solução que permite o monitoramento à distância da temperatura corporal de pessoas do grupo de risco da Covid-19.

Oncotag: desenvolve soluções em medicina de precisão utilizando biomarcadores oncológicos patenteados. Para o combate ao vírus, está oferecendo um sistema inteligente que funciona como um rastreador da Covid-19 através da classificação dos parâmetros clínicos dos pacientes, tais como hemogramas e outros ensaios bioquímicos.

Far.me: oferece um serviço de farmácia completo, em que os pacientes são acompanhados em todos os processos da utilização crônica de medicamentos.

MedYes: funciona como um assistente de saúde virtual que organiza o histórico médico, permite o monitoramento de doenças crônicas, auxilia no uso de medicamentos e possibilita o compartilhamento de informações com o profissional de saúde e familiares.

Near: solução que permite realizar atendimentos em diversos níveis: partindo da teleorientação 24 horas por WhatsApp com profissionais de saúde, seguindo para acompanhamento ativo dos pacientes nos casos com sintomas de Covid-19, evoluindo para teleconsultas médicas por meio de plataforma de telemedicina.

A Insilic All, a Birth Tech, a Oncotag, a Far.me, a MedYes e a Near são investidas pela Fundepar via o hub de inovação exclusivo para bionegócios – o BiotechTown.

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